Pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade Yonsei, na Coreia do Sul, conduziram um estudo pioneiro, publicado na revista científica Jama Network Open, indicando que algoritmos de inteligência artificial (IA) podem diagnosticar o Transtorno do Espectro Autista (TEA) com até 100% de precisão. Este avanço se baseia na análise de alterações na retina, captadas mediante imagens fotográficas. O estudo envolveu 958 crianças e adolescentes, revelando que a retina, uma extensão do sistema nervoso central, pode servir como biomarcador não invasivo.
A metodologia aplicada no estudo ainda está em fase experimental e necessita de testes adicionais para confirmar sua eficácia. Apesar disso, o método demonstrou grande promessa, especialmente para diagnósticos precoces, que podem ser cruciais no tratamento do autismo. O estudo representa um avanço significativo na busca por ferramentas de rastreio objetivas para o TEA, especialmente diante das limitações atuais em avaliações especializadas em psiquiatria infantil.
Vejamos as conclusões do estudo:
Este estudo diagnóstico examinou o potencial dos algoritmos de aprendizagem profunda para rastrear TEA e possivelmente a gravidade dos sintomas usando fotografias da retina. Nossos achados sugerem que a área do disco óptico é crucial para diferenciar indivíduos com TEA e DT. Embora estudos futuros sejam necessários para estabelecer a generalização, nosso estudo representa um passo notável no desenvolvimento de ferramentas objetivas de triagem para TEA, que podem ajudar a resolver questões urgentes, como a inacessibilidade de avaliações especializadas em psiquiatria infantil devido a recursos limitados.
Kim JH , Hong J , Choi H, et al. Desenvolvimento de conjuntos profundos para triagem de autismo e gravidade dos sintomas usando fotografias da retina. Rede JAMA aberta. 2023;6(12):e2347692. doi:10.1001/jamanetworkopen.2023.47692
Por outro lado, um estudo distinto, publicado na revista Scientific Reports, baseou-se em dados de imagens cerebrais de 500 pessoas, incluindo 242 com diagnóstico de autismo. Este estudo utilizou algoritmos para analisar mapas das redes cerebrais, alcançando uma acurácia de 95% na identificação de alterações cerebrais associadas ao autismo. Tal abordagem, no entanto, continua em desenvolvimento e poderá levar anos para ser incorporada na prática clínica.
Os resultados desses estudos indicam um futuro promissor para o uso de IA na medicina, especialmente no diagnóstico de condições complexas como o TEA. Contudo, é necessário que mais estudos sejam realizados para validar e generalizar esses achados, incluindo pesquisas com amostras de diferentes países e algoritmos variados. Ainda assim, os avanços atuais são um passo significativo na direção de métodos de diagnóstico mais precisos e acessíveis para o TEA.
Com informações de Folha, JamaNetwork e Scientific Reports
Nayron Divino Toledo Malheiros
Mestre em Direito Constitucional Econômico, Professor de Direito, autor do livro “Inteligência Artificial e Direito: Veículos Autônomos: responsabilidade civil, impactos econômicos e desafios regulatórios no Brasil”
Como citar esse texto:
MALHEIROS, Nayron D. T. Estudo indica que Inteligência Artificial poderá diagnosticar Autismo com até 100% de precisão, 2023. Disponível em: https://iaconsumers.com/2023/12/26/estudo-indica-que-inteligencia-artificial-podera-diagnosticar-autismo-com-ate-100-de-precisao/
